A pesquisa como fio condutor
Atualmente, vivemos numa sociedade em mutação nos âmbitos socioeconômico, político, cultural e tecnológico. A globalização econômica e o avanço dos meios de comunicação apresentam-se como suas características marcantes, as quais provocaram o surgimento da era da informação. Influências mútuas entre educação e sociedade justificam mudanças no campo educacional, em decorrência da mutação social, bem como a necessidade de ensino que incentive a autonomia do aluno, promovendo novas formas de aquisição de conhecimento.
Autonomia de estudo é o potencial que o educando tem de refletir sobre o seu próprio aprendizado, assumindo dessa forma a responsabilidade pelo seu desenvolvimento. Para tanto, o educador deve fazer com que o aluno adquira essa atividade. Por meio desta autonomia, é possível formar verdadeiros cidadãos autônomos, capazes de lutar por seus objetivos e pelo respeito aos seus direitos.
Com o objetivo de propiciar maior autonomia de estudo, o professor deve planejar aulas que impulsionem os alunos a trilhar novos e prazerosos caminhos em busca do saber, absorvendo informações por meios variados. Ganha destaque o processo de aprendizagem desencadeado pelo próprio aluno, através do aproveitamento de oportunidades diversas, casuais ou deliberadas, como a pesquisa que conduziu ao projeto pedagógico em questão a ser citado posteriormente.
Vasconcelos, 2002, propõe desenvolvimento de metodologia dialética que ressalta a construção do conhecimento por meio da relação entre sujeito, objeto e realidade. Embora a mediação docente seja reconhecida, não há garantia de aquisição de conhecimento apenas por meio de sua transmissão. É indispensável, portanto, a atuação do aluno sobre o objeto de estudo.
As aulas, que devem extrapolar os moldes tradicionais e ter como centro os alunos, apresentam o papel do professor consistindo em despertar o interesse deles e possibilitar o trânsito significativo inicial entre aluno e objeto a ser estudado, bem como sua ação sobre ele, promovendo situações a serem enfrentadas pelo exercício do estudo autônomo. Isso deve ser fixado para o aluno, para que ele o leve em conta como um desafio. Perrenoud, 2000, defende que ensinar é reforçar a decisão de aprender e estimular o desejo de saber.
Tendo como objetivo principal a autonomia do estudo, Gadotti, 1999, indica como pressupostos que devem ser seguidos pela orientação da educação: a aprendizagem do conhecer, do fazer, do viver juntos e do ser. O aprender a conhecer significa o prazer em construir e reconstruir o conhecimento; o aprender a fazer compreende as relações interpessoais do sujeito, enquanto o aprender a viver juntos percebe a interdependência das pessoas. O aprender a ser significa o desenvolvimento integral do sujeito, que inclui seu pensamento autônomo e crítico.
Desenvolver a autonomia de estudo, segundo Vieira, 2004, pressupõe o aprender a aprender e indica como princípios: pequenos passos em direção ao vencimento de etapas, ritmos divergentes de aprendizagens dos alunos e o aprender fazendo, que diz respeito à aplicação dos conteúdos.
Projeto Pedagógico
Procurando exemplificar projeto que apresenta como objetivo principal desenvolver o estudo autônomo, seguem comentários acerca de experiência pedagógica ocorrida em escola da Rede Pública Municipal de São Paulo, com alunos de 7ª. e 8ª. séries, que freqüentavam o curso extra-curricular de Alemão, cuja professora era eu. Com intuito de propiciar a autonomia de estudo, foi proposto projeto que apresenta a pesquisa como fio condutor da busca de conhecimento.
Buscar o conhecimento de maneira autônoma, entretanto, sugere o desenvolver de habilidades discentes, como a iniciativa, a perseverança, o respeito ao seu ritmo, à associação e ampliação dos conteúdos. Como a relevância da atividade proposta pode despertar motivação dos alunos, além do seu papel ativo, verifiquei o interesse dos alunos acerca dos nativos de língua alemã e propus o exercício da pesquisa como meio de busca de novas informações e satisfação de curiosidades sobre áreas e figuras diversas.
Antes de receberem orientação para realizar as pesquisas, os alunos tiveram a oportunidade de, oralmente, expressar as referências que tinham da cultura germânica. Orientados, pesquisaram sobre personalidades alemãs ou provenientes de países de idioma alemão em diversas áreas de atuação, de acordo com o interesse expresso por eles. Conforme conclusão de pesquisas, os resultados eram lidos e comentados, as imagens mostradas ao grupo e as regiões mencionadas eram localizadas em mapas políticos. A classe, então, ouvia informações em Alemão sobre as personalidades pesquisadas e depois respondiam, utilizando o mesmo idioma, a perguntas efetuadas pela professora. Com tais informações, breves textos eram escritos e lidos pela classe.
Pretendendo ressaltar a interculturalidade, foi proposta a pesquisa sobre personalidades brasileiras de áreas afins ou profissões similares àquelas das personalidades pesquisadas anteriormente. As etapas de desenvolvimento do projeto, então, foram repetidas.
Os alunos tiveram chance de expressar suas concepções e demonstraram interesse na realização das pesquisas de maneira autônoma em busca de conhecimento que valorizou a cultura nacional e a estrangeira.
A escolha da pesquisa como principal atividade permitiu que os alunos demonstrassem sua identificação com determinados assuntos e descobrissem novos dados informativos, encontrados com autonomia. Além disso, a promoção de experiências discentes bem sucedidas interferiu em seu campo emocional, que desempenha papel decisivo em sua aprendizagem. A importância do desenvolvimento desse projeto pedagógico valorizou a crença no nascimento da motivação natural discente, que indica sua aprendizagem significativa e progressiva, sugerindo buscas autônomas de novos conhecimentos.
A atividade de pesquisa como fio condutor da aprendizagem representou o exercício de autonomia dos alunos na construção e na reconstrução de seus conhecimentos, visto que possuíam referências das duas culturas, que foram verificadas e ampliadas. A pesquisa foi justificada pela proposta de interculturalidade, das atividades didáticas realizadas com o material pesquisado, mas, sobretudo pelo desenvolvimento de autonomia dos alunos na busca de conhecimento, não restrita ao projeto pedagógico citado, estendida ao seu cotidiano escolar e particular.
(Figura 1 – Wilhelm Richard Wagner)
(Figura 2 – Magdalena Tagliaferro)
(Figura 3 – Adolf Hitler)
(Figura 4 – Afonso Pena)
Bibliografia
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VIEIRA, Fábia Magali Santos. , Considerações Teórico-Metodológicas Para Elaboração e Realização de Cursos Virtuais. Disponível em: http://www.abed.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=4abed&infoid=179&sid=104. Acesso em 01/07/2004.
Projeto Pedagógico





