Clube da Fala
Profa. Dra. Clélia Barqueta - UFPB
Este trabalho apresenta parte de uma experiência, realizada em um projeto de extensão, cujo propósito é fazer com que os participantes desenvolvam suas habilidades de interagir oralmente em língua alemã como língua estrangeira. Demonstra algumas dinâmicas que foram desenvolvidas nesses grupos de conversação. São atividades que podem ser inseridas dentro de aulas normais dos cursos de língua de língua alemã.
Stichwörter: Interação oral, atividades lúdicas
O Clube da Fala é um curso de conversação. Por que um curso desses se já existem as aulas de língua? Porque nessas atividades, pode-se perceber como alguns participantes conseguem resolver problemas para se comunicar em uma língua estrangeira. Alem disso, porque “eu”, enquanto professora, percebo-me limitada demais ao livro didático e ao mesmo tempo, percebo que os alunos se encontram ainda mais limitados. Por mais que lhes apresentemos atividades extra-livro didático, acabamos retornando ao livro e seguindo a seqüência estipulada por ele, com maior ou menor variação, pulando o que não dá certo, acrescentando atividades que podem funcionar de forma complementar e que sejam mais prazerosas. Não que o uso de um livro didático seja ruim. Não digo que desejo, de uma hora para outra, jogar para o alto todos os livros didáticos de língua alemã. Mesmo porque, alemão não é minha língua materna e me sentiria muito insegura, sem ter o apoio de um livro didático, no qual tanto o professor como os aprendizes conseguem perceber uma certa progressão.
Além desses motivos, trabalho em uma instituição federal e estas instituições oferecem uma margem de ação maior do que instituições particulares, pois permitem projetos que não tenham apenas um fundo lucrativo, mas que também sirvam como espaço para pesquisa e atuação dentro das comunidades, nas quais se encontram. O ‘clube da fala’ funciona, atualmente, como aulas dentro extensão e surgiram, a princípio, como um projeto dessa área.
A partir dessa primeira experiência com o Clube da Fala, percebi que havia uma possibilidade de trabalhar sem o livro, apenas com conversação. Que isso era prazeroso para os alunos e para mim, enquanto facilitadora dessa experiência.
O objetivo desses encontros - Clube da Fala - é a implantação de um espaço que possibilite aos aprendizes uma troca mais estimulante de informações e mais ligada ao afetivo, portanto, mais facilmente ancorável cognitivamente. Nesses encontros, os aprendizes de língua alemã têm a chance de:
a) interagir na língua alvo, no caso a língua alemã. O erro é previsível, já que são iniciantes. O foco não é a correção de erros. A intenção seria levá-los, o mais freqüentemente possível, a uma situação na qual tivessem que falar;
b) desenvolver e automatizar estratégias de comunicação à medida que estas vão sendo percebidas;
c) desenvolver o hábito de se posicionar perante o que lhes é proposto, no caso, em língua alemã, diminuindo a tendência de só falar se tiver a certeza de que está certo;
d) estimular o uso da língua desvinculada da sala de aula, na qual o/a aprendiz possa atrever-se, ousar se expressar, sem receio de ser corrigido ou penalizado por notas. Devemos acrescentar que o facilitador do clube da fala não ‘dá’ notas.
É lógico que eu não achava, e ainda não acho, que apenas o fato de estarmos reunidos, baste para que todos iniciem uma conversa em alemão. Já pelo fato da professora estar presente, há a predisposição, por parte dos alunos a uma atitude de expectativa: “O que a professora quer que façamos”? “O que é esperado de nós”? E assim por diante.
Entendendo comunicação como interação entre indivíduos e o meio que os cerca, como procurar fazer com que ‘o meio’ que os cerca, possibilite estímulos para uma interação mais próxima do real? Uma interação em língua estrangeira, no caso a língua alemã. Mesmo com a presença da língua portuguesa pelo meio do caminho. Essa ‘interlíngua’ pode ser aceita como uma estratégia de comunicação para a busca de uma solução, assim como gestos, busca por auxílios.
Surgiu então a necessidade de encontrar dinâmicas que mais se assemelhassem ao cotidiano dos alunos e pudessem ser usadas em sala de aula, para estimularem essa atividade de comunicação. Decidiu-se por dinâmicas lúdicas. Não apenas jogos cooperativos ou competitivos, mas também outras atividade que proporcionassem um certo relaxamento e estimulassem a necessidade de interação. O lúdico, mesmo em sala de aula, provoca situações que se aproximam da realidade. Os alunos, às vezes, esquecem que estão em sala de aula, em situações de aprendizagem e, simplesmente, participam. Isso faz com que se acostumem a usar a língua em situações mais parecidas com as reais.
Não se trata, aqui, de discutir princípios teóricos sobre jogos em sala de aula. Queremos acentuar que ao conseguirmos atrair os alunos para esses encontros, eles começaram a reagir diferentemente, também em sala de aula. Ouvimos alguns depoimentos de participantes dos grupos:
- “Nossa professora, na hora da prova oral eu estava completamente solto. Eu até falei para o pessoal que era por causa do Clube da Fala.” (A.)
- “Professora, acho que nunca tive tanta gramática sem perceber o que estava fazendo.”
- “Agora eu tento falar de qualquer jeito, com a língua, com as mãos”.
- “Eu adoro essas aulas, a gente nem percebe que é aula, quando vê, o tempo já passou e a gente aprendeu”.
Depois do que foi exposto acima, apresento algumas das inúmeras atividades usadas que motivaram os alunos.
1 – Primeiramente, um exemplo relativo ao comparativo. Como pode ser percebido, pela forma como introduzi o assunto, acaba-se, sempre, caindo na gramática. A diferença é que não se chama a atenção para ela.
1.1 – Foi explicado o jogo, que todos imediatamente reconheceram como o jogo do ‘quente ou frio’. As regras foram colocadas no quadro:
kalt kälter am kältesten.
warm wärmer am wärmsten
heiβ heiβer am heiβesten
eisig eisiger am eisigsten
Na primeira vez, pede-se a um aluno para sair, enquanto os que ficam na sala escondem um objeto. Ao voltar, o aluno que saiu, deve descobrir onde o objeto está escondido. Quanto mais longe procura, mais os outros avisam: kalt, kälter, am kältesten e quanto mais perto, warm, wärmer, heiβ, usw. Numa segunda fase, quando todos já tiverem percebido as regras, metade da sala sai e a outra metade esconde objetos. Ganha quem achar primeiro. Dessa forma, todos brincam ao mesmo tempo. E depois se inverte. Outras regras podem ser estipuladas.
1.2 – A excelente autora Penny Ur (1995: 71), também, fornece ótimas idéias sobre esse assunto: so... wie ...; nicht so ... wie ...; ... als ....; ... ist am ... Entrega-se uma ficha como a que segue abaixo para as duplas.
Cada dupla discute e tenta encontrar uma solução com a qual ambos concordem, posteriormente pode ser discutido em plenária, se houver necessidade. Várias outras atividades, com esse tema gramatical, são sugeridas por Ur. Com a mesma dinâmica, podem ser trabalhados outros assuntos:
1.3 – Outra excelente atividade, que também exercita o mesmo tema, é proposta por Sanches (p.63-64): ‘das Angeberspiel’. Funciona como um jogo de cartas. Estas devem ser distribuídas entre os jogadores. Cada jogador mostra sua carta dizendo o que tem nas mãos: Ex.:A- Meine Nase ist lang/kurz. B-Meine ist länger, kürzer. C- usw. Quem tiver o superlativo das três figuras, ganha as três cartas. Baseado nesse jogo, podem ser desenvolvidos outros, com diferentes temas. Os jogos podem ser adaptados aos assuntos que se quer trabalhar ou rever.
Os alunos erram poucos adjetivos, pois as regras não são tão complicadas. Às vezes, nem há necessidade de se trabalhar, depois dessas atividades, de maneira dedutiva, já que percebem as regras. Esses exercícios foram feitos com grupos que estavam no G2.
Ao invés de dar todo o comparativo e superlativo de uma só vez, ensinando, além disso, a declinação do adjetivo, ensina-se aos poucos e de maneira lúdica. O que é prazeroso, ancora-se melhor. Dessa maneira, essas funções lingüísticas já ficam na estrutura cognitiva do aluno. Quando aprender mais, já tem onde ancorar o novo. Seria mais uma complementação do que já sabe.
2. – Temas polêmicos ou de suspense
2.1 – Muito proveitoso, também, é trabalhar com temas que excitem discussões, seja com textos escritos, tais como os dois que seguem abaixo ou com imagens polêmicas ou estórias em imagens, como cartoons, tiras de jornais, etc. Tanto os textos como as figuras podem ser dispostos em cartolinas, que serão dobradas, para dentro, de maneira que só apareça um parágrafo ou uma imagem de cada vez, quando o estudante desdobrá-las. Isso evita que o professor/a coordene a atividade. Esta fica centrada nos próprios aprendizes que determinam o seu ritmo de discussão, e também a necessidade de estratégias. Esta estória me foi entregue, há muitos anos, durante uma oficina. Já está dividida como deve ser dobrada e entregue aos estudantes.
1. Schritt – Erklärungen - Aufgaben:
Zu zweit oder zu dritt lesen Sie die Geschichte. Stoppen Sie aber am Ende jedes Paragraphen. Lesen Sie nicht weiter und überlegen Sie sich, wie die Geschichte weiter geht. Bilden Sie so viele mögliche, absurde, lustige Hipothesen, wie Sie wollen.
Eine Parabel
/Rosimary ist ein Mädchen von ungefähr 21 Jahren. Seit einigen Monaten ist sie mit einem jungen Mann verlobt – nennen wir ihn Geoffrey. Ihr Problem ist, dass sich zwischen ihr und ihrem Verlobten ein Fluß befindet. Denken sie ja nicht, es sei ein normaler Fluß, es ist ein tiefer und breiter Fluß voller Krokodile.
Rosemary überlegt, wie sie den Fluß überqueren kann. …/
/Sie denkt an einem Mann, von dem sie weiß, dass er ein Boot hat. Wir wollen ihn Sindbad nennen. Sie geht zu ihm und bittet ihn, sie hinüberzubringen. Er antwortet:.../
/ “Ich bringe dich hinüber, wenn du eine Nacht mit mir verbringst”. …/
/Von diesem Angebot erschreckt, geht sie zu einem anderen Bekannten, einen gewissen Frederich, und erzählt ihm ihre Geschichte. Frederich antwortet, in dem er sagt: …/
/Ja, Rosemary, ich verstehe dein Problem, aber es ist Deins, nicht Meins”. …
Rosemary entscheidet sich, …/
/zu Sindbad zurückzukommen, verbringt die Nacht mit ihm, und am Morgen bringt er sie über den Fluß. Ihre Wiederbegegnung mit Geoffrey ist sehr …/
/schön. Sie sind sehr glücklich. …/
/Aber am Vortag ihrer Hochzeit fühlt sich Rosemary gedrängt, Geoffrey zu erzählen, wie sie erreichte, über den Fluß zu gelangen. Geoffrey entgegnet: …/
/“Ich würde dich heiraten, wenn du die letzte Frau auf der Erde wärest.” …
Mit ihrem Latein am Ende wendet sich Rosemary schließlich an den letzten Darsteller unserer Geschichte, an Denis. Denis hört ihre Geschichte an und sagt zu ihr:/ “Gut Rosemary, ich liebe dich nicht, aber ….
ich will dich heiraten”.
Und das ist alles, was wir von dieser Geschicht wissen.
2. Schritt
Überlegen Sie sich und versuchen Sie, sich auf eine Meinung zu einigen!
1- Welche Person ist Ihnen die Sympathischste? Warum?
2- Welche die Unsympathischste? Warum?
3- Wer hat am meistens Recht? Und wer nicht? Warum?
3. Schritt
Wie würdest, du dich in jeder Stelle entscheiden?
2.2 – Wer ist schuldig?
Die Eltern kaufen dem Sohn ein neues Fahrrad. Der Junge verspricht, es immer in der Garage zu verschlieβen, aber er vergiβt es oft.
Die Eltern bitten den Nachbarn, das Fahrrad in der Garage zu verstecken, um dem Sohn einen heilsamen Schrecken zu versetzen.
Der Nachbarn aber vergiβt, die Garage abzusperren und deswegen wird das Fahrrad gestohlen.
In welcher Reihenfolge kann man den Beteiligen Schuld zuweisen und Warum?
Dem Dieb, den Eltern, dem Sohn, dem Nachbarn?
- Aufgrund eigener Erlebnisse oder aus der Phantasie entwickeln Sie neue Geschichte, die zu einer vertiefenden Diskussion anregen. (JUMA)
3 – A autora Ur fornece uma boa idéia sobre uma atividade que pode ser usada para introduzir declinação de adjetivos. É um jogo baseado em batalha naval. Cada estudante coloca uma opção de cada lista, z B.:
klein weiβ Hund
groβ braun Katze
dick schwarz Pferd
O/A professor/a explica brevemente a regra de declinação do adjetivo, diante do acusativo. Fem., masc. e neutro. Com esses mesmos exemplos. Sem necessidades de complicações. Ambos os jogadores constroem seqüências.
B forma, por ex. a seguinte seqüência:
groβ weiβ Katze
klein braun Hund
dick Schwarz Pferd
O aprendiz A stellt die Frage: Hast du einen kleinen schwarzen Hund?
Se A não adivinhou a seqüência exata, construída por B, este responde: falsch oder Wasser. E, desta vez, faz a sua pergunta. Se A adivinhou corretamente a seqüência de B, este responde: Feuer e A continua a perguntar. Uma regra pode ser estabelecida: quem perguntar com a declinação errada, mesmo que a seqüência esteja certa, perde a vez. Mais possibilidades do que a quantidade proposta acima dificulta acertos. Os jogadores se sentem desmotivados.
Outras possibilidades podem ser treinadas, como por exemplo:
spannend lang Buch
traurig modern Film
lustig alt Fernsehserie
4 – Brincar com as estruturas subordinadas com „weil“.
4.1 - Um excelente jogo pode ser feito com as figuras propostas por Ur (1995, p.56-57) ou por quaisquer figuras que o/as professor/as escolham. Várias figuras de coisas facilmente reconhecíveis (animais, comidas, objetos, etc) ficam à disposição, na frente dos aprendizes. São necessárias muitas figuras para que o jogo fique interessante. Os objetos usados nas figuras devem ser conhecidos pelos estudantes. Estes devem uni-los como em um dominó, p.ex.:
- Ein Bleistift darf bei einem Tisch bleiben, weil beide aus Holz sind. Ein Tisch darf bei einem Hund bleiben, weil beide vier Beine haben usw.
- Der --- und die --- gehören zusammen, weil ...
Outras formas de expressão também são possíveis:
- Der --- und das --- funktionieren beide mit ...
- Der --- und die --- gehören zusammen, denn/weil ...
- Das passt gut zum/zur ---, weil / denn ...
Qualquer tipo de associação pode ser feita, isso não importa. Só não pode ser feita mais de uma vez.
4.2 - Sanches (p. 23) fornece outro exemplo muito parecido com este. Nesta atividade, os autores optam por juntar duas figuras em cada cartão, com se fosse uma peça de dominó. Assim, o próximo participante não se apóia na figura já usada para uma comparação, usa sempre a figura do outro lado da peça.
4.3 - com ‘weil’, pode ser feito o conhecido jogo das cadeiras. Um pouco ‘perigoso’, já que os alunos querem conseguir uma cadeira, de qualquer maneira.
Cadeiras em círculo, com uma cadeira a menos que os estudantes. Começa com o/a professor/a, para que possa mostrar como funciona o jogo. A pessoa que estiver no meio deve dizer a fórmula: “Ich liebe dich, weil ... ( aqui deve vir alguma característica que alguns participantes tenham e outros não). “Ich liebe dich, weil du Sandale trägst”. Die Personen, die Sandalen tragen, sollen so schnell wie möglich den Sitz ändern, damit sie einen neuen Sitz bekommen. Wer keinen Sitz hat, soll jetzt in der Mitte den neuen Satz sagen. „Ich liebe dich, weil du blonde/schwarze Haare hast“. Etc.
5 – Atividades nas quais se usam expressões para orientar-se espacialmente. Existem muitas delas. Exemplo:
5.1 - Fazer uma cidade, usando as carteiras e o próprio chão. Sobre as carteiras, organizadas como se fossem quarteirões, colocar nomes de lugares como: Das Kino, das Café, der Supermarkt usw., bem em cima das carteiras/mesas, de forma que os participantes possam ver os nomes. E no chão os nomes das ruas: Kaiser Josephstraβe usw. Aos pares, um estudante pergunta: Wie komme ich zum/zur ...? As respostas dos companheiros conterão as direções.
5.2 – Outra possibilidade é organizar as cadeiras da sala como se fossem obstáculos que os alunos devem evitar. As cadeiras não devem estar em linhas retas, mas de maneira bem caótica, com espaço para que os estudantes se movimentem entre elas. Um estudante tem os olhos vendados e o outro fica atrás dando as direções: nach rechts, ein biβchen nach rechts, jetzt links, langsam geradeaus, pass auf, usw. O participante de olhos vendados não pode tocar nas carteiras/obstáculos. Um terceiro participante pode ficar junto e deve contar quantas vezes o que está com venda toca as cadeiras até chegar na parede, do outro lado da sala. Ganha quem tocar menos vezes. Pode-se alternar a venda e os estudantes voltam para a parede oposta, da mesma forma.
5.3 – Wo ist die Rolexuhr/ das Geld? Partnerarbeit.
Usar qualquer foto de planta baixa, com decoração desenhada, na qual apareçam todos os cômodos, com os móveis, tapetes, etc. Um participante ‘sai de viagem’ e esconde seu objeto em uma das peças do desenho. Um arrombador entra na casa e procura o relógio. Liegt die Uhr/das Geld unter ...; am/an der .... ? Nein, ... Até que o objeto seja encontrado ou estipulam-se, no máximo, 10 perguntas.
Finalizo, desejando um bom divertimento e uma boa aprendizagem.
BIBLIOGRAFIA
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